Cidade

Um mês após a tragédia na praça José Bonifácio

Depois de homem morrer atingido por galho, SQA apresenta medidas para fiscalizar e preservar árvores da cidade

Jô Folha -

No dia 2 de novembro, Pelotas se deparava com uma tragédia. Jéferson Luís Mangone Mengatto, de 55 anos, morria após ser atingido pelo galho de uma árvore na praça José Bonifácio, em Pelotas. Um mês depois, o Diário Popular indaga a Secretaria de Qualidade Ambiental (SQA) sobre medidas para fiscalizar e preservar as espécies que fazem parte da cidade.

Mengatto estava acompanhado de uma amiga, Márcia Idiart, que foi encaminhada para o Pronto Socorro de Pelotas (PSP) e na sequência à Santa Casa de Misericórdia. De acordo com técnicos da SQA, a árvore estava em bom estado fitossanitário e não havia solicitações de poda para o local. Após inspeção, assumiu-se como uma possível causa o desequilíbrio do peso do galho - cerca de duas toneladas, de acordo com o Corpo de Bombeiros. Na manhã seguinte a árvore foi retirada.

Após o fato, o Secretário de Qualidade Ambiental, Eduardo Schaefer, reconheceu haver a necessidade de um monitoramento completo da situação das árvores em Pelotas, mas alegou problemas estruturais como falta de mão de obra e deslocamento para que a ideia saia do papel. Garantiu, entretanto, acelerar a fiscalização em áreas da cidade, como grandes avenidas e praças, e ressaltou a importância de se elaborar um plano municipal de arborização.

Um mês após o caso, a SQA informou ao Diário Popular que reforçou o monitoramento em locais com grande concentração de árvores de grande porte - as avenidas Duque de Caxias, no Fragata, e José Maria da Fontoura, no Laranjal, entre eles. “Temos realizado também vistorias e emitido laudos dos pedidos de podas e supressões arbóreas, encaminhados pelos cidadãos, bem como atuado em casos que envolvam risco pessoal ou material. Durante o último mês, foi feita a poda em 95 árvores nativas e 105 exóticas, além da supressão de outros 29 vegetais”, prossegue a nota enviada.

No que se refere a ações de longo prazo, a secretaria afirma que prepara atualmente um Termo de Referência para contratar empresa terceirizada com o objetivo de realizar a poda e supressão das árvores. A licitação deve ocorrer no primeiro semestre de 2021. “Contudo, a SQA também salienta que o tema é complexo e necessita de um olhar mais atento não só da Prefeitura, mas de toda a cidade”, finaliza o texto.

Problema antigo

De fato, a questão é profunda. Ao mesmo em que são imprescindíveis para a qualidade de vida das pessoas, e não há quem não concorde que é preciso mais delas, as árvores podem representar risco. Nos últimos anos, são diversos os casos semelhantes ao de novembro passado.

Em 2019, um galho caiu em um veículo na avenida Duque de Caxias, próximo à antiga Laneira. Não havia chuva nem vento e o carro ficou parcialmente destruído. Em 2018 foi a Academia Pelotense de Letras, no parque Dom Antônio Zattera, a vítima da vez. Após forte tempestade, uma árvore caiu sob o teto do prédio, levando a um prejuízo estimado de R$ 3,5 mil. No mesmo ano houve quedas também na praça Coronel Pedro Osório e no Balneário dos Prazeres. Em 2017, um estudo da SQA apontou que 10% das árvores da Duque de Caxias se encontravam comprometidas.

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